domingo, 21 de agosto de 2011

MEUS PRIMEIROS PASSOS NO CAMPO ACADÊMICO

Relembrar o passado através de uma foto, objeto, data, local, etc. sejam por meio da linguagem oral ou escrita, possibilita a construção de conhecimento, pois é a partir de então que o indivíduo vai apropriando-se da memória que é “um elemento essencial do que se costuma chamar identidade, individual ou coletivo, cuja busca é uma das atividades fundamentais dos indivíduos e das sociedades de hoje, na febre e na angústia” (LE GOFF, p. 1990).


Ao terminar o ensino médio não tive oportunidade de ingressar em uma faculdade os motivos foram muitos, mais o principal deles foi às dificuldades financeiras de minha família para investir com os custos de transporte escolar e moradia na capital de Maceió, isso devido não existir na época universidades nos interiores do Estado de Alagoas. Motivo esse que me levou a passar quase vinte anos sem da continuidade aos meus estudos, pois a necessidade de trabalhar vinha em primeiro lugar. Durante esse tempo que estive longe da instituição de educação percebe que muitos dos conhecimentos sistemáticos que eu havia aprendido foram esquecidos, más a vontade de fazer um curso de graduação esteve sempre presente entre meus objetivos de vida. O resultado algumas pessoas já conhecem.

Com muita força de vontade fui aos poucos me organizando e entres algumas horas livres realizei estudos em casa, pois havia pedido emprestados todos os módulos do cursinho da minha amiga Daniele (vizinha que tinha também realizado seu sonho de passar no vestibular de medicina), como alguns livros velhos de física, química e matemática da minha amiga Márcia, meus primeiros passo para realizar uma prova de vestibular, que para mim tinha que ser federal. A ideia inicial era prestar o vestibular apenas como experiência, isso devido não me achar preparada como os meus amigos e outras pessoas que estavam fazendo cursinhos preparatórios. Sabia que os conhecimentos que eu tinha era insuficientes, devido ao contexto da atualidade, muita coisa tinha sido mudado e acrescentados nos conteúdos disciplinares, diferentemente dos que eu tive no passado. A dúvida maior foi decidir qual curso eu me escreveria, como havia feito o magistério teria que ser entre os cursos de licenciatura de preferência biologia, geografia e pedagogia. Uma amiga me ajudou a fazer a escolha pelo o Curso de Pedagogia.

Para minha maior surpresa e de muitos, eu passei de primeira no vestibular, agradeço muito a Deus por isso, o que me fez perceber que nada é impossível e que quando queremos muito algo temos que buscar e lutar por isso. Sempre acreditei que nunca é tarde para se começa e aprender. Não vou negar que tive muitas dificuldades, principalmente no primeiro semestre do curso para me adaptar com as leituras dos textos, rotinas da faculdade, tempo, entre outros.

Lembro-me que no dia da matrícula do meu curso de pedagogia eu estava muito eufórica, contava os dias para o início das aulas e cheguei logo cedo para conhecer o local. Minhas primeiras amizades foram a Kryslane, Natália, Fabrícia e a Patrícia, lhes conhece em conversas durante o tempo de espera para realização das matriculas. A recepção dos feras de pedagogia, foi marcante, ainda posso lembrar o que alguns de nós falamos quanto a sua opção de escolha pelo Curso de Pedagogia, o nervosismo nas apresentações e a felicidade estampadas nos rosto de cada uma que estava ali presente na sala, momento de primeiro contato entre alunos e professores.

Aos poucos nos conhecemos e passamos a nós identificar entre os grupos. O medo de não ser aceita na turma por conta de minha idade que era impactante, foi tudo em vão, fui aceita e até considerada como a mãe da turma. Confesso que passei a ter um carinho muito especial por todas, talvez como filhas adotivas, pois muitas vezes me peguei dando conselhos.

Posso dizer que muita coisa mudou, desde o primeiro dia de aula até os dias de hoje. Com relação à universidade, como iniciante, paguei alguns micos, por outras vezes deixei de realizar algumas coisas por falta de informação e dei alguns passos em vão por não conhecer o espaço da faculdade, etc. Já com relação a minha pessoa tive que trabalhar bastante para superar meu medo de falar em público, principalmente nas apresentações dos trabalhos e adaptar meu tempo com trabalho, filhos, esposa, lazer e leituras.

Do segundo semestre por diante foi mais tranquilo, aos poucos fui me familiarizando com os espaços e pesquisando sobre a Universidade, assuntos favoráveis para minha pessoa e tudo mudou, más sei que há muito ainda para se informar sobre a mesma. Já com relação à turma, algo que me desapontou bastante foi a desistência de uma das garotas, logo na terceira semana do início do curso, alegando que não ia conseguir aprender e se adaptar com a faculdade. Os dias e meses que se seguiram pode vê que mudanças foram acontecendo, por motivos pessoais e escolhas como, por exemplo: algumas das meninas perderam disciplinas; outra optou por outro curso; outra casou e viajou para outro Estado; outras se transferiram para outro turno, assim também como outras foram fazendo parte de nossa turma ingressando a cada semestre que se seguia.

No decorrer do curso cada vez tem aumentado os vínculos de amizades entre a turma, alunas dos outros semestres, alunos de outros cursos, como também entre alguns professores. De certa forma surgiu sim alguns atritos entre a turma, motivo que nos fizeram refletir, posicionar e amadurecer, passos importantes para o nosso dia-a-dia. Momentos únicos que me proporcionou grandes aprendizagens junto a erros e acertos.

Hoje sou “outra pessoa”, atualizada e informada sobre os diversos tipos de acontecimentos e conhecimento gerais e acadêmicos, compreendo mais ainda a importância da educação para o desenvolvimento pleno do indivíduo, sabendo do nosso papel como autor principal nesse processo. Sou grata e feliz por isso, pois além de está realizando meu grande sonho, tenho aprendido muito durante esses quatro anos de graduação, que a princípio achava que ia ser uma “eternidade”, ao contrário o tempo passou quase que despercebido às vezes paro para refletir e parece que foi ontem.

Contudo, amo o que faço e em nenhum momento me arrependi da escolha que fiz, lamento às vezes não sermos reconhecidos pelo nosso trabalho como pedagogo, sendo desvalorizado não só pelo curso como pela renumeração salarial. Sofro também por muitos, sejam eles, crianças, jovens, adultos e idosos, não terem a oportunidade de freqüentarem uma sala de aula e poderem relatar suas experiências, medos e conflitos, por não terem seus direitos como verdadeiros cidadãos brasileiros e como pessoas importantes para o desenvolvimento do país. Porém, acredito que esse quadro ainda pode ser mudado e para isso precisamos ir à luta, em busca de novas conquistas...


Antonia Eunice


Referências

LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas: Editora da Unicamp, 1990.

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