

A fotografia é uma fonte histórica que chegou ao Brasil por volta de 1840, usado mais pela parte da elite. Devido a isso, boa parte da população pobre do Brasil não teve oportunidade de terem suas fotos estampadas nos quadros das paredes de suas casas, como também expostas em álbuns de recordações. Minha família fez parte dessa última classe, pois falando da minha pessoa quase não tenho fotos para recordar, particularmente, de quando eu era criança, com exceção de três fotos que foram tiradas, uma é a que aparece logo abaixo, a primeira vez que fui fotografada com idade de quatro anos, outras duas foram quando estudava com sete e oito anos (tiradas na escola). Na época as fotos de binóculo como é conhecida era mais barato, além de ser mais rápido para ser entregue, em cada esquina tinha um fotógrafo com enormes caixas de madeiras cobertas por panos.
Pensar que eu não estaria digitando esse texto, se não existisse essa foto exposta acima. Por isso sinto uma grande emoção quando me pego vendo essa foto antiga. Imagem da qual me traz um significado imensurável, que marcou profundamente uma parte de minha história de vida, tempo em que eu morava com minha avó tão querida. Lembro-me como se fosse hoje, ao vê a fotografia é com se passasse um filme pela minha cabeça, apesar de saber que esse foi um tempo longínquo que ficou para traz, que deixou apenas recordações e informações importantes para meus dias atuais sobre minha família, religião, viagens, pobreza, brincadeiras, amizades, tecnologia, história, conhecimentos, artes, entre outros.
Quando pequena minha avó fez uma promessa para o Padre Cícero do Juazeiro, que se conseguisse se aposentar, todos os anos ela viajaria para o juazeiro, foi quando tudo começou, a promessa que fizera se realizou e todos os anos ela passou a viajar e junto com ela iam eu, minha irmã e minha prima. Na primeira viagem tiramos a foto já mencionada, como lembrança do lugar e do momento. As viagens eram realizadas em cima de caminhões coberto por lonas, os assentos eram de bancos feitos de tábuas, sem nenhum conforto e segurança. Viajávamos durante todo o dia debaixo de um forte sol “escaldante”. Viagem que para mim durava uma “eternidade”, um dos motivos que hoje tenho conhecimento era pelo difícil acesso, por grande parte da estrada não ser ainda asfaltada, outro era pelas paradas obrigatórias, que de hora em hora o motorista parava o caminhão para os romeiros fazerem suas necessidades fisiológicas dentro dos matos à beira da estrada. Uma situação delicada, que hoje eu jamais me atreveria a fazer. Mas, apesar de todo esse contratempo durante a viagem, ouvindo os romeiros cantar suas romarias o tempo todo e repetindo por várias vezes as mesmas, eu gostava muito principalmente quando chegava à cidade de juazeiro, tudo era motivo de alegria. As visitas as igrejas à casa do Padre Cícero, subida nas escadarias do Horto, a devoção dos romeiros, as ruas cheias de vendedores, o barulho dos carros e dos romeiros, das multidões de romeiros que ficavam instalados em grandes galpões, dormindo sobre redes, esteiras e colchões. Eu ficava observando o trabalho realizado coletivamente entre eles; suas simpatias e humildade. Todos dividiam o que tinham para comer, reservavam-se no preparo da comida, lavar os pratos, entre outros, parecíamos os “sem terra de hoje”.
Quanta coisa boa para ser recordada sobre minhas viagens ao juazeiro e que durou até os meus doze anos, minha avó se encontrava mais velha e cansada para viajar, eu no início da adolescência, outras coisas eram mais importantes. Os casacos que eu e minha prima estamos vestidas foram comprados também nessa primeira viagem que fizemos. O meu usei até não caber mais em mim, o da minha prima, ela ficou mais forte e passou para mim, usei até meus 15 anos de idade. De tão velho o casaco rasgou - se nas duas partes dos cotovelos, o guardei depois com muito carinho até o dia em que perceber que ele teria que ser jogado fora. Com o tempo minha avó morreu, aos 78 anos, hoje olho pra foto e me emociono ao vê-la do meu lado. Seu jeito, sua cor, seus traços físico e tamanho, características delas e do lugar que só é possíveis outras pessoas identificar por meio de uma fotografia. Quanto a outras informações estão na minha memória...
REFERÊNCIAS
CHIARELLI, Tadeu HISTÓRIA DA ARTE / HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA NO BRASIL - SÉCULO XIX: Algumas Considerações. Disponível em: <http://www.cap.eca.usp.br/ars6/chiarelli.pdf>. Acesso em: 21 de Out, 2011.

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